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  • Rock in Rio e a revolta dos rockeiros

    Na semana em que os ingressos para o Rock in Rio foram vendidos, tive uma grande discussão com um amigo. Estudamos juntos, fomos adolescentes e rebeldes juntos. Por isso, ele não entende de jeito algum que eu não tenho qualquer problema com o fato de que o Rock in Rio, apesar de ter a palavra rock no nome, não é um festival de música rock.

    A gente ouvia Legião, ele tinha uma bandinha de garagem de tributo ao Guns’n’Roses, o estilo era aquele rockeiro-adolescente-rebelde-sem-causa mesmo. Por causa disso, ele achou um ultraje que eu não me juntasse a ele na sua revolta contra o que organização do Rock in Rio estava fazendo.

    Sabe qual é o problema? A organização não está fazendo nada de novo, quem está se revoltando agora porque o Rock in Rio não é exclusivamente para rockeiros apenas mostra que não fez o dever de casa e não conhece a história do festival. O problema não foi o fato de eu achar isso, o problema foi partilhar essa minha forma de ver as coisas com ele. Como se diz por aí, “deu ruim”!

    Você pode até estar se revoltando neste momento, tal como ele se revoltou. Só não faz como ele, que ficou tão irritado que me mandou para a casa do Sr. Carvalho sem sequer ouvir o que eu tinha para dizer. Continua comigo mais um pouco.

    Qualquer pessoa que vá ao site do Rock in Rio vê lá, na seção sobre a história do festival, que eles dizem que conquistaram o mundo “sempre com a intenção de levar todos os estilos de música para os mais variados públicos”. Logo aí, se eles sempre tiveram essa intenção, era impossível que fosse um festival de rock, certo? Errado, para a maior parte das pessoas eles inventaram isso agora, para vender mais e ganhar dinheiro.

    Aí você lembra do que aconteceu em 2001, com o Carlinhos Brown levando garrafada, e percebe que não é de agora. Mesmo assim há quem vá cismar que foi uma invenção posterior à criação do festival. Nesse momento, se você ainda está seguindo a minha linha de raciocínio e ainda não quer que eu vá falar com o Sr. Carvalho de novo, a gente vê outro detalhe. Tanto na primeira, como na segunda edição do Rock in Rio (1985 e 1991), houve uma artista que se destacou no cenário, que era quase que completamente dominado pelos rockeiros nacionais e internacionais. Sabe quem era? Era a Rita Lee da Caatinga, a Madonna do Agreste, a Tina Turner do Sertão, ela própria: Elba Ramalho!

    Agora você vê, desde a primeira edição eles misturam estilos. No início não era tanto como é hoje. Porém, nos anos 80 e 90 o rock praticamente dominava a música mundial! Se eles queriam ter sucesso com o festival, tinham que apostar no rock. Sinceramente, acho que por isso veio o nome Rock in Rio. Porque o Rock ia chamar a juventude da época, porque a “Cidade do Rock” seria o lugar perfeito para que essa mesma juventude pudesse se sentir à vontade e porque rock em Inglês não é só música rock. Além de querer dizer pedra, além de se referir à música, em determinados contextos, quer dizer diversão, o que mais eles podiam querer?

    Passados quase 30 anos da primeira edição ainda tem gente que não aceita, não entende e se revolta. Vamos combinar? O Rock in Rrio não é um festival de rock por se chamar Rock in Rio, da mesma forma que Woodstock não era estoque de madeira por se chamar Woodstock.

    Resumindo e concluindo, peace out and rock on!