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  • O trauma do Inglês

    Eu tinha 16 anos e, tal como muitos adolescentes, achava que sabia falar Inglês, mas não sabia nada. Vivia no Rio de Janeiro, estudava em uma escola particular e, além do Inglês, estudava Espanhol. A minha mãe acreditava que por estar a pagar a mensalidade de uma boa escola eu não tinha necessidade de fazer um cursinho, ledo engano.

    Por motivos familiares, fomos viver para Portugal. Lá, naquele pedacinho que ainda é Europa, mas as vezes não parece, eu fui estudar para uma escola pública. Passei a estudar Inglês e Francês, pensei que o Inglês seria fácil e o Francês ia acabar com a minha vida, mas não foi bem assim. Embora eu nunca tivesse tido contato com o Francês, tudo corria bem. Porém, não podia dizer o mesmo sobre o Inglês.

    Descobri que durante anos, na escola particular no Brasil, eu tinha aprendido mais do mesmo todos os anos, enquanto na escola pública em Portugal os alunos pareciam ser bastante fluentes, sendo que lá não é comum frequentar cursos de línguas como acontece no Brasil.

    Na primeira prova de Inglês do ano, eu tirei 0,5 (sim, 0,5 – MEIO). Fiquei completamente chocada. Finalmente chegou o tão esperado dia da prova oral, dia este que tinha sido publicitado pela professora como a minha oportunidade de me redimir, de conseguir, pelo menos, não ficar com aquele 0,5 no boletim.

    O meu nome é Ana. Eu sempre fui das primeiras da lista. Naquela turma eu era a primeira. Eu estava em pânico.

    A professora entrou na sala, sorriu, sentou, e anunciou que íamos começar. Disse: Hello, Ana! How are you today? Ready to begin? Eu congelei, entendi tudo o que ela disse, mas não conseguia dizer uma única palavra. Ela tentou novamente: Ana? Are you okay? Eu continuava calada, não conseguia dizer nada. Não é que eu não entendesse, mas a turma inteira estava olhando para mim, eu sabia que o meu sotaque era terrível, tinha medo de falar e dizer tudo errado. Eu fiquei calada. Nova tentativa: Ana, you have to talk to me, otherwise your final score will be zero. Do you understand me? ZERO. Levantei, as lágrimas escorriam pelo meu rosto, saí correndo da sala. Bati a porta e vaguei pelo corredores da escola sem saber onde me esconder. Foi horrível!

    Passados alguns minutos a professora me encontrou. Perguntou, em Português, se estava tudo bem e o que tinha acontecido para eu ter aquela reação. Entre lágrimas e soluços, expliquei que o motivo era a vergonha do meu Inglês, que eu sabia ser péssimo. Ela foi extremamente simpática, arranjou o número de uma professora particular, com a qual tive aulas, e falou com a direção da escola para que eu não fizesse mais nenhuma prova até ao final do ano letivo. Eu iria fazer uma prova escrita e uma prova oral, a média entre as duas avaliações seria a minha nota final, sem choro, sem desculpas. Era aquilo e pronto.

    Estudei, li e conversei em Inglês com a professora particular. Fiz exercícios e me dediquei ao máximo. No último dia de aulas fiz as duas provas. Na escrita, que a professora corrigiu na hora, eu tirei 7. Na oral, que deveria ter 15 minutos de duração e acabou virando uma conversa de uma hora, eu tirei 8. Acabei o ano, que começou com 0,5, com um 7,5 e me senti muito orgulhosa disso.

    Hoje, 10 anos depois, trabalho com Inglês todos os dias e adoro! Por isso, se você tem algum trauma com o Inglês, não hesite em tentar ultrpassá-lo. Aprender uma língua é uma aventura na qual você tem que entrar de cabeça. Portanto, se jogue!