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  • A primeira vez que eu ouvi a voz de Bruce Willis

    Conforme a gente vai crescendo, vai também ganhando admiração por certos atores. Porém, como a gente vive em um país onde os filmes e as séries são, por norma, dublados, nem sempre a primeira impressão que temos de um ator é a verdadeira. De certa forma,  essa cultura da dublagem de praticamente tudo o que passa na televisão, aliena um pouco as pessoas. Não querendo desfazer de quem trabalha como dublador, longe disso!

    Não me lembro ao certo de quantos anos tinha, sei apenas que tinha mais de 11 anos, porque “Armagedom”, o filme que me permitiu ouvir a voz do Bruce Willis pela primeira vez, estreou no Brasil em 1998. Todavia, a sensação que tive aquando dessa experiência está bem viva na minha memória.

    Eu estava com a minha mãe, que prefere filmes dublados porque detesta usar óculos, sendo que sem eles ela não consegue ler nada. Fomos ver o filme, quando ela viu que era legendado, começou logo a reclamar. Eu não me importei, até que ouvi a voz de Bruce Willis pela primeira vez na minha vida.

    Foi tão chocante perceber que a voz que eu associava a ele não era a dele, aquilo fazia com que eu ficasse muito confusa. Por isso, eu acabei por passar o filme todo pensando no assunto, sendo esse o motivo pelo qual eu não entendi nada do filme até vê-lo pela segunda vez. Ainda hoje, quando vejo algum filme que é dublado, fico uns minutos perdida nos meus pensamentos, por mais idiota que isso possa parecer.

    Durante muitos anos tentei entender o motivo do meu choque. Há algum tempo cheguei a uma conclusão: Para mim, o problema não foi a dublagem em si, mas ninguém ter dito que aquilo não era real. Sim, com 12 anos, supostamente, a pessoa já sabe que os filmes não são realidade e eu sabia isso. Só que em uma época em que crianças e adolescentes não tinham acesso à internet como têm hoje, o que eu não sabia era que os filmes dele que eu tinha visto eram dublados! Eu era/estava realmente alienada!

    Não digo que quem dá voz ao ator no Brasil faça um trabalho ruim, que as dublagens sejam um mal da humanidade que deve ser erradicado, nem que quem tem 12 anos hoje em dia não saiba que está vendo algo dublado. Apenas acho que, se queremos promover a aprendizagem de línguas estrangeiras (seja o Inglês, o Espanhol, o Francês ou outra qualquer), as crianças devem ter contato com a língua falada também, porque existem estudos que confirmam a eficácia disso na aprendizagem de idiomas (assunto sobre o qual pretendo falar mais detalhadamente em outro post), mas também para que não haja esse choque entre aquilo que nos habituamos a ver/ouvir e aquilo que, de fato, é a realidade.

    E você? Já teve alguma experiência semelhante?